Cibersegurança passa a impactar diretamente a continuidade e a gestão de risco das empresas
Incidentes recentes reforçam a necessidade de tratar segurança da informação como tema estratégico e não apenas tecnológico.

Nos últimos dias, um novo incidente envolvendo o BTG Pactual voltou a expor um ponto que ainda não foi plenamente internalizado por muitas organizações. Ataques cibernéticos deixaram de ser eventos técnicos isolados e passaram a representar risco direto ao negócio.
A suspensão temporária de operações via Pix após a identificação de atividades atípicas mostra como a resposta a um incidente já envolve decisões que vão além da área de tecnologia. Mesmo em situações em que não há exposição de dados de clientes, a interrupção de serviços, a necessidade de investigação e o impacto reputacional já são suficientes para afetar a operação.
Esse tipo de ocorrência evidencia uma mudança relevante. A discussão sobre cibersegurança não pode mais ser restrita a falhas de sistema ou vulnerabilidades técnicas. O impacto se materializa na operação, no financeiro, na relação com clientes e na continuidade da empresa.
Nos últimos anos, o Banco Central do Brasil vem reforçando essa leitura por meio de normas que ampliam a responsabilidade das instituições sobre a gestão de riscos cibernéticos. Mais do que exigir controles, a regulação aponta para a necessidade de integração entre tecnologia, governança e estratégia.
Na prática, muitas empresas ainda operam com uma visão fragmentada. Investem em ferramentas, estruturam times técnicos e adotam soluções específicas, mas sem um entendimento consolidado dos riscos. Falta clareza sobre quais ativos são críticos, quais cenários podem interromper a operação e qual seria o impacto financeiro de um incidente relevante.
Esse desalinhamento cria uma falsa sensação de segurança. A organização possui mecanismos de proteção, mas não possui capacidade estruturada de resposta. Em um cenário de incidente, isso se traduz em decisões reativas, demora na contenção e aumento do impacto.
Cibersegurança, na prática, é gestão de risco. Isso significa identificar vulnerabilidades relevantes, avaliar impacto no negócio, priorizar ações e estruturar respostas antes que o incidente aconteça. A capacidade de resposta passa a ser tão importante quanto a capacidade de prevenção.
Empresas mais maduras não são aquelas que evitam completamente incidentes, mas aquelas que conseguem manter a operação mesmo diante deles. Isso envolve planos de resposta testados, definição clara de responsabilidades, comunicação estruturada e alinhamento entre áreas técnicas e executivas.
O envolvimento da alta gestão é um dos principais pontos de diferenciação. Quando o tema permanece restrito à TI, decisões críticas deixam de considerar impacto financeiro, risco operacional e exposição reputacional. Quando a liderança participa, a segurança passa a ser tratada como elemento de sustentação do negócio.
Outro fator relevante é a cultura organizacional. Parte significativa dos incidentes está associada a falhas humanas, processos pouco estruturados ou ausência de diretrizes claras. Sem integração da segurança ao dia a dia, a organização permanece exposta, independentemente do nível tecnológico adotado.
A digitalização ampliou a dependência de sistemas em todos os setores. Indústria, varejo, saúde e serviços operam hoje com alto grau de exposição tecnológica. Isso faz com que o risco cibernético deixe de ser específico e passe a ser transversal.
Em um cenário de incidente relevante, a questão central não será apenas técnica. Será entender quais processos param, qual o impacto financeiro, quem decide, como a comunicação é conduzida e quanto tempo a empresa leva para retomar suas operações. Quando essas respostas não estão definidas, o risco já ultrapassou o ambiente tecnológico.
Através da Martinelli área de riscos e compliance, organizações podem estruturar modelos de gestão de risco cibernético alinhados ao negócio, com definição de prioridades, planos de resposta e integração entre tecnologia e governança.
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